O Banco Central voltou a furar a política de governo de adoção de software não proprietários e assinou contrato com a empresa Hepta Tecnologia e Informática no valor de R$ 75,9 mil; para prestação de serviços de treinamento de desenvolvedores em Microsoft .NET.
O departamento de tecnologia da Informação do BC também fechou contrato com a empresa SPSS Brasil Desenvolvimento e Comrcialização de Software, para obter a cessão de uso do software "SSPS for Windows", no valor de R$ 104,1 mil.
No meio do ano, o BC contrariou a cúpula do governo defensora do software livre ao assinar um contrato para aquisição de licenças da Microsoft, ao custo de R$ 9 milhões. Na época, o então presidente do ITI, Sérgio Amadeu, reagiu indignado com a posição da instituição. Mas nada foi feito em relação ao problema.
Agora surge a infomação de que mais dois contratos foram publicados pelo Banco Central na edição de terça-feira, 13/12, do Diário Oficial da União.
Curiosamente os contratos foram publicados no mesmo dia no qual o governo reagiu indignado às declarações de Richard Stallman, criador do GNU e da Free Software Foundation, que numa entrevista à Agência Brasil - órgão oficial de comunicação do governo - disse ter informações de que ministros estavam deixando de lado a política governamental de uso dos programas de código aberto. Stallman chegou a classificar essa postura de "traição contra o país".
Autoridades governamentais como Rogério Santanna, da Secretaria e Logística e TI do Ministério do Planejamento e Renato Martini, presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, rebateram na mesma agência as declarações do criador do GNU.
Martini, que também é o Coordenador do Comitê para Implementação do Software Livre, disse que as declarações não têm fundamento. "Quem é esse americano para interferir na política de informática brasileira? Quem é ele para insinuar que ministros brasileiros se vendem para a Microsoft?", indagou.
O presidente do ITI chegou a informar que, no caso do Ministério das Comunicações, onde o ministro Hélio Costa colocou em dúvida os aspectos de manutenção técnica para implementar o software livre, a situação já foi controlada. Segundo Renato Martini, o ministro compreendeu que a política de software livre é do governo depois de uma conversa com a chefe da Casa Civil, ministra Dilma Roussef.
Porém, o fato é que o Minicom pode até entender a política do governo, mas nada fez até agora em direção à plataforma livre. Até cancelou uma licitação que estava em curso desde a gestão Eunício Oliveira, para a migração dos sistemas do ministério da plataforma Windows para o Linux. Essa licitação chegou a ser considerada parâmetro para a migração no governo federal, pelo então secretário-executivo, Paulo Lustosa.
A concorrência chegou a ter 15 empresas na disputa, todas dispostas a realizar o serviço. Mas acabou suspensa ainda na gestão do ex-ministro Eunício Oliveira, por problemas de edital. Com a chegada de Hélio Costa ao ministério, o assunto nunca mais foi cogitado pelo Minicom, depois que ele questionou o problema de suporte técnico.
A Anatel também tem se posicionado a favor dos software proprietários. O órgão regulador está realizando licitação para a compra de computadores. No edital pede que o sistema operacional seja o Windows, da Microsoft, colocando, entretanto uma cláusula de interoperabilidade com o Linux.
link da noticia: http://www.convergenciadigital[...]art.htm?infoid=1828&sid=10
Postada por: Andres <andresbiagi*nospam*gmail.com>