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Confiança no seu computador

2005-12-19 22h53min




Confiança no seu computador

Por: Richard Stallman
traduzido por Rubens Queiroz de Almeida

Fonte:http://www.ccuec.unicamp.br/CC[...]cao/BDNUH/NUH_211/NUH_211.html

A quem o seu computador deve obedecer? A maioria das pessoas pensa que seus computadores devem obedecer-lhes, e não a outras pessoas. Com um plano chamado "computação confiável (trusted computing)", grandes empresas de media (incluindo as empresas de cinema e gravadoras), associadas a empresas de computação, tais como Microsoft e Intel, estão planejando fazer o seu computador obedecer a elas e não a você. (A versão da Microsoft para este esquema chama-se "Palladium".). Programas proprietários já fizeram a inclusão de características maliciosas antes, mas este plano irá torná-las universais.

Software proprietário significa, fundamentalmente, que você não controla o que ele faz; você não pode estudar o código fonte ou alterá-lo. Não é surpreendente que homens de negócios astuciosos descubram maneiras de usar este controle para colocá-lo em uma situação desvantajosa. A Microsoft fez isto diversas vezes: uma versão do Windows foi projetada para relatar para a Microsoft todo o software existente em seu disco rígido; uma atualização recente de "segurança" no Windows Media Player exigia que os usuários concordassem com novas restrições. Mas a Microsoft não está sozinha: o software KaZaa de compartilhamento de música foi projetado de modo a que os parceiros comerciais da empresa possam alugar o uso de seu computador para seus clientes. Estas características maliciosas são frequentemente secretas, mas uma vez que você as conheça é difícil removê-las, pois você não possui o código fonte.

No passado, estes eram incidentes isolados. "Computação Confiável" irá torná-los amplamente disseminados. "Computação traiçoeira (Treacherous computing)" é um nome mais apropriado, porque o plano é feito de forma a garantir que o seu computador irá desobedecê-lo sistematicamente. De fato, foi projetado de modo a impedir o seu computador de funcionar como um computador de uso geral. Cada operação irá requerar permissão explícita.

A idéia técnica subjacente à computação traiçoeira é que o computador incluirá um dispositivo de criptografia e assinatura digital, e as chaves são mantidas em segredo. Programas proprietários irão usar este dispositivo para controlar quais
outros programas você pode rodar, quais documentos ou dados você pode acessar, e para quais programas você pode passá-los. Estes programas irão baixar continuamente da internet novas regras de autorização, e impor estas regras automaticamente a você. Se você não permitir que seu computador obtenha estas novas regras periodicamente a partir da Internet, alguns recursos irão automaticamente deixar de funcionar.

É claro, Hollywood e as gravadores planejam usar a computação traiçoeira para "DRM" (Digital Restrictions Management), de forma a garantir que videos e música possam ser vistos ou ouvidos apenas em um computador especificado. O compartilhamento se tornará inteiramente impossível, ao menos usando os arquivos autorizados que você pegará destas empresas. Você, o público, deverá ter tanto a
liberdade e a habilidade para compartilhar estas coisas. (Eu espero que alguém descubra uma maneira de produzir versões não criptografadas e de publicá-las compartilhá-las, de modo a fazer com que o DRM não seja inteiramente bem sucedido, mas isto não é desculpa para o sistema.)

Tornar o compartilhamento impossível já é ruim, mas pode ficar pior. Existem planos de usar os mesmos recursos para email e documentos -- resultando em email que desaparece em duas semanas, ou em documentos que podem ser lidos apenas nos
computadores de uma determinada empresa.

Imagine se você recebe um email de seu chefe lhe instruindo a fazer algo que você considera arriscado; um mês depois, quando tudo dá errado, você não poderá usar o email para mostrar que a decisão não foi sua. "Obter tudo por escrito" não te protege quando a ordem é escrita em tinta invisível.

Imagina que você receba um email declarando uma política que é ilegal ou moralmente ultrajante, como por exemplo instruções para destruir os documentos de auditoria de sua empresa, ou permitir que uma ameaça perigosa ao seu país prossiga normalmente. Hoje você pode enviar uma mensagem para um repórter e expor a atividade. Com a computação traiçoeira, op repórter não poderá ler o documento; seu computador irá se recusar a obedecê-la. A computação traiçoeira irá se tornar um paraíso para a corrupção.

Processadores de texto como o Microsoft Word poderiam usar a computação traiçoeira ao salvar seus documentos, de forma a garantir que processadores de texto da concorrência não possam lê-los. Hoje nós temos que descobrir os segredos do formato Word através de experimentos laboriosos de modo a habilitar os processadores de texto livres a interpretá-los. Se o Word criptografa documentos usando a computação traiçoeira ao salvá-los, a comunidade de software livre não terá nenhuma chance de desenvolver software para lê-los -- e mesmo que pudéssemos, tais programas serão até mesmo proibidos pelo Digital Millenium Copyright Act.

Programas que usam computação traiçoeira irão continuamente baixar novas regras de autorização através da Internet e imporão estas novas regras automaticamente ao seu trabalho. Se a Microsoft, ou o governo americano, não gostarem do que você disse em um documento que escreveu, eles poderão publicar novas instruções orientando todos os computadores a proibirem que qualquer pessoa leia o documento. Cada computador iria obedecer ao baixar as novas instruções. Os seus escritos seriam sujeitos ao estilo de remoção retroativa ao estilo do livro 1984. Até mesmo você poderá ser impedido de ler seu próprio trabalho.

Você pode pensar que pode descobrir as coisas desagradáveis que a computação confiável faz, estudar o quanto doloroso ela é, e decidir se as aceita. Seria imediatista e estúpido aceitar, mas o ponto é que o acordo que você está aceitando não irá parar por ai. Uma vez que você venha a depender de determinado programa, você está fisgado e eles sabem disto; então eles podem mudar as regras. Algumas aplicações irão baixar atualizações automaticamente que irão fazer algo diferente -- e eles não lhe darão o direito de escolha quanto a atualizar ou não.

Hoje você pode evitar estas restrições impostas pelo software proprietário decidindo não usá-los. Se você usa GNU/Linux ou outro sistema operacional livre, e se você evita instalar programas proprietários, então você é quem decide o que o seu computador faz. Se um programa livre tem uma característica maliciosa, outros desenvolvedores na comunidade irão removê-la, e você pode usar a versão corrigida. Você pode também rodar aplicativos e ferramentas livres em sistemas não livres; isto não é exatamente uma opção de liberdade completa, mas muitos usuários procedem desta maneira.

A computação traiçoeira coloca a existência de sistemas e aplicações livres em risco, porque você pode não ser capaz de rodá-los de forma alguma. Algumas versões da computação traiçoeira irão exigir que o sistema operacional seja especificamente autorizado por determinada empresa. Sistemas operacionais livres poderão não ser instalados. Algumas versões da computação traiçoeira irão exigir que cada programa seja especificamente autorizados pelo desenvolvedor do sistema operacional. Você não poderá executar aplicações livres em tais sistemas. Se você descobrir como fazer isto, e contar para alguém, isto poderá ser um crime.

Já existem propostas para leis americanas exigindo que todos os computadores suportem a computação traiçoeira, e para proibir que computadores antigos se conectem à Internet. A CBDTPA (nós a chamamos de Ato Consuma Mas Não Tente Programar -- "Consume But Don't Try Programming Act" -- é uma delas. Mas mesmo que eles não o forcem legalmente a usar a computação traiçoeira, a pressão para aceitá-la pode ser enorme. Hoje as pessoas frequentemente usam o formato Word para comuniucação, embora isto cause diversos tipos de problemas (veja "We can put an End to Word Attachments"). Se apenas uma máquina com computação traiçoeira pode ler os documentos mais recentes do Word, muitas pessoas irão mudar para ela, se eles encaram a situação apenas em termos de ação individual (é pegar ou largar). Para opor-se à computação traiçoeira, nós precisamos nos unir e confrontar a situação como uma escolha coletiva.

Para saber mais sobre a computação traiçoeira, veja .

Bloquear a computação traiçoeira irá exigir que grandes números de cidadãos se organizem. Nós precisamos de sua ajuda! A Electronic Frontier Foundation e Public Knowledge estão fazendo campanhas contra a computação traiçoeira, da mesma forma que o projeto chamado Digital Speech Project patrocinado pela FSF. Por favor, visite estes websites para se cadastrar para apoiar estes trabalhos.

Você pode também ajudar escrevendo para o escritório de relações públicas da Intel, IBM, HP/Compaq, ou para qualquer empresa da qual você tenha comprado um computador, explicando que você não quer ser pressionado a comprar sistemas de computação "confiável" e não quer que eles se envolvam em sua produção. Isto pode fazer com que o poder do consumidor prevaleça. Se você fizer isto por conta própria, por favor, envie cópias de sua correspondência para as organizações acima.


Postscripts

1. O projeto GNU distribui o software GNU Privacy Guard, que é um programa que implementa criptografia de chaves públicas e assinaturas digitais, que você pode usar para enviar email seguro e privado. Ele é útil para explorar a forma como o GPG difere da computação traiçoeira, e ver o que torna uma útil e a outra tão perigosa.

Quando alguém usa o GPG para lhe enviar um documento criptografado, e você usa o GPG para decodificá-lo, o resultado é um documento não criptografado que você pode ler, encaminhar para outros, copiar e mesmo recriptografá-lo para enviá-lo seguramente a alguém. Uma aplicação de computação traiçoeira iria deixá-lo ler as palavras na tela, mas não lhe autorizaria a produzir um documento não criptografado que você possa usar de outras formas. GPG, um software livre, torna as características de segurança disponíveis aos usuários; eles as usam. A computação traiçoeira é projetada para impor restrições aos usuários; ela os usa.

2. A Microsoft apresenta o Palladium como uma medida de segurança, e afirma que ele irá nos proteger contra os vírus, mas esta afirmativa é falsa. Em uma apresentação do departamento de pesquisa da Microsoft em outubro de 2002, afirmou-se que uma das especificações do Palladium é que os sistemas operacionais e aplicações existentes poderão ser executadas; consequentemente os vírus continuarão a ser capazes de fazer tudo que fazem hoje.

Quando a Microsoft fala de "segurança" em conexão com o Palladium, eles não querem dizer o que nós normalmente dizemos ao empregar tal palavra: proteger nossas máquinas de coisas que não queremos. Eles querem dizer proteger as cópias de dados em sua máquina de acesso por você de uma forma que os outros não desejam. Um slide na apresentação listava diversos tipos de segredos que o Palladium poderia ser usado para manter, inclusive "segredos de terceiros" e "segredos de usuários" -- mas a frase "segredos de usuários" estava entre aspas, reconhecendo tal fato como algo um tanto absurdo dentro do contexto do palladium.

A apresentação fez uso frequente de temos que nós usualmente associamos com o contexto de segurança, tais como "ataque", "código malicioso", "enganar (spoof)", bem como "confiável". Nenhuma delas significa o que normalmente se entende. "Ataque" não quer dizer que alguém queira lhe prejudicar, significa tentar copiar música. "Código malicioso" significa código instalado por você para fazer algo que outras pessoas não querem que seu computador faça. "Enganar" não quer dizer que alguém esteja lhe enganando, significa que você está enganando o Palladium. E assim por diante.

3. Um pronunciamento prévio dos desenvolvedores do palladium afirmava que a premissa básica que quem quer que seja que desenvolvesse ou coletasse informação deveria ter um controle total sobre a forma como esta informação seja usada. Isto representaria uma virada revolucionária nas idéias de ética do passado e do sistema legal, e criaria um sistema de controle como nunca se viu. Os problemas específicos destes sistemas não são um acidente; eles resultam de seu objetivo básico. É um objetivo que devemos rejeitar.

Este ensaio foi publicado no livro Free Software, Free Society: The Selected Essays of Richard M. Stallman.

Postada por: Andre <nogueiralista*NOSPAM*yahoo.com.br>







Comentários dos leitores:


Postado por Kid-X@201.0.xx.xx em 20/12/2005 01h18min:
Hey Stallman, de novo com o mesmo assunto? De novo com os mesmos argumentos? Será que o Stallman não poderia mudar de assunto pelo menos uma vez, falar sobre os aspectos técnicos do sistema GNU/Linux? Ou então responder às perguntas que não querem se calar: Onde está o Hurd e os outros softwares tão prometidos da FSF? Será que eles não ficam prontos por falta de competência da comunidade? Será que é falta de interesse dos "patrocinadores" desse sistema livre? Será que eles já estão satisfeito com o sistema GNU/Linux do jeito que está? Qual é a visão dele deste sistema operacional em um futuro próximo? O que falta para o sistema alcançar a tão sonhada "vitória"? O que ele considera como vitória: Quantidade ou qualidade?

Responda alguma coisa Stallman, muda de assunto!!!



Postado por Screwball@200.158.xxx.xxx em 20/12/2005 09h04min:
Kid-X (ou deveria chama-lo de Troll-X?) tu acaba de perder uma excelente oportunidade de ter ficado calado.

Fique atento para que isso não ocorra novamente.



Postado por Azraell@200.179.xxx.xxx [e-mail] em 20/12/2005 09h53min:
Um dos homens mais importantes da história lutando para combater uma opressão/ditadura que se anuncia (para quem acha que o Stallman está sendo paranóico, lembrem-se que a alguns anos atrás disquete era coisa de filme de ficção científica, assim como esse cenário big btotheresco o é atualmente :-)e vem um imbecil reclamar que não tem respostas sobre projetos que são feitos pela comunidade, ou seja não tem um líder no máximo um mentor ou BDFL, é um merda mesmo.



Postado por MnB Linuxer@201.50.xx.xxx em 20/12/2005 13h14min:
Kid-X de onde tú tira tanto comentário inútil ?
o Stallman está certo em falar sua teoria e eu, assim como muitos acreditam que isto pode se tornar verdade(se é que ja nao é em alguns casos).
Seja livre, use Linux !



Postado por R4z3c@200.231.xx.xxx [e-mail] em 20/12/2005 14h12min:
Kid-X embora você tem o direito de pensar desta forma e até mesmo indagar, mas o Stallman tem toda razão no que ele está falando e isto é um problema grave estamos sendo vigiados 24hrs cade nossa privacidade. Eu costumo observar o MSN entre outros programas existe uma mensagem assim []Permitir que a MICROSOFT colete informações anonimas de como está usando o Messenger. Essa pergunta não deveria nem existir e pior ainda muitos aceitam este pedido embora eles coletem informaçoes sem isto mesmo. =) Não devemos ser zumbis das máquinas que nós construimos.



Postado por Thiago M M@200.163.xx.xxx [e-mail] em 20/12/2005 15h01min:
O Stallman está certo e foi bastante coerente nesse assunto que apresentou. E concordo com ele, e pessoalmente acredito que isso já esteja acontecendo. Temos o caso do MSN Messenger citado no comentário anterior que coleta dados caso você aceite, o que foi implementado somente por questões políticas de alguns países. Há algum tempo já ouveram boatos e possivelmente confirmações de que versões mais recentes do Windows enviam dados à empresa em questão. Isso ninguém pode dizer que não somos (quem usa tais SO's e sotwares proprietários) já vigiados desde muito tempo, pois ninguém conhece o código, sabe que é fechado e que não é liberado detalhes a respeito de funcionamentos, etc, etc.

Esta observação do Richard Stallman não deveria ser transmitida apenas a nós da comunidade SL, e sim a todos os usuários de informática, bem como à aqueles de outras áreas que usam no mínimo um computador para digitar seus textos e enviar por e-mail.

Concluindo, e qual a finalidade de o Stallman trabalhar nesse Hurd ? Posso estar sendo hipócrita, mas isso não tem muito haver com o papel da FSF.

Abraço;.



Postado por Kid-X@201.0.xx.xx em 20/12/2005 17h54min:
Bem, não vou mais responder à vocês. Não é porque vocês têm argumentos bons e sim porque vocês não sabem nem conversar.

Já estou de saco cheio de ver "figurões" como o Stallman, Torvalds e Maddog falando sempre o mesmo assunto e o povão concordando com eles.

Informática atual está igual à política brasileira: Troca as moscas mas a merda continua a mesma. Enquanto não houver alguém que tenha amor à CIÊNCIA da computação, vai continuar isso aí do jeito que está.

Que pena eu não ter vivido nos anos dourados da informática, que era até o final dos anos 80. Era tudo muito primitivo e complicado em comparação com o que temos hoje, mas era uma época muito feliz...

Hoje em dia é um querendo tomar o lugar do outro. Só isso...



Postado por Micosoft@201.50.xx.xxx em 20/12/2005 19h14min:
Se o computador usar windows eu não tenho confiança nenhuma nele. Pode estar lotado de vírus, worms e cavalos de tróia, além das costumeiras travadas habituais.

E dane-se o Paladium, a Micosoft, DRM e todas essas porcarias !



Postado por Dario@143.106.xx.x em 21/12/2005 12h15min:
Isso tambem é um grande risco para quem é desenvolvedor independente como eu porque a microsoft pode muito bem procurar codigos no disco do desenvolvedor independente para roubar e usar esses codigos como se o codigos fosse deles



Postado por Marcos@150.162.xx.xx em 22/12/2005 09h40min:
Apesar da matéria ser muito pertinente, acho que o kid-x tem todo o direito de se expressar sem ser chamado de "merda". Posso não concordar com ele, mas isso não me dá o direito de ataca-lo. Trolls estão sendo vocês!



Postado por ricardo@201.8.xxx.xx em 22/12/2005 12h59min:
mais um...



Postado por Alberto@200.165.xxx.xxx [e-mail] em 22/12/2005 13h03min:
Será o fim da liberdade individual?
Uso Linux Kurumin por opção. Não que precise dos recursos avançados e etc., pois sou apenas um modesto usuário. Apenas cansei da "tela azul da morte" e migrei para o linux que se revelou muito fácil de usar e além do mais, seguro, estável (seis meses sem travamento) o que em minha opinião é a verdadeira "computação confiável". Uso o Kurumin por OPÇÃO e a questão é precisamente esta.O fato de se pagar por uma licença de uso de software não confere à empresa o direito de interferir nas opções/preferencias de cada um, mesmo em nome de um objetivo tão "nobre" que é nos proteger dos vírus e ataques de hackers. Considero como fundamental o direito a escolha. Mesmo as erradas.




Postado por Leo@201.10.xxx.xxx em 22/12/2005 16h59min:
Eu acho que todo mundo tem o direito de se expressar. Aliás, porque não podemos questionar os líderes dos projetos? Talvez não estejam errados, mas pelo menos estamos usando nosso intelecto. Tem que parar com essa idéia que software livre é religião. O que temos que pensar é transformar o software livre em negócio com liberdade e respeito.



Postado por Tércio Martins@164.41.xxx.xx [e-mail] em 22/12/2005 21h05min:
Postado por Kid-X em 20/12/2005 17h54min:
"Já estou de saco cheio de ver "figurões" como o Stallman, Torvalds e Maddog falando sempre o mesmo assunto e o povão concordando com eles.

"Informática atual está igual à política brasileira: Troca as moscas mas a merda continua a mesma. Enquanto não houver alguém que tenha amor à CIÊNCIA da computação, vai continuar isso aí do jeito que está."

Senhor X, fico com pena deste seu pensamento simplista. Você não é a primeira pessoa que vejo desvincular ciência e ética.

Não se pode desenvolver a ciência para burlar a ética, nem utilizar-se da falta-de-ética para desenvolver a ciência. Muitos avanços na Medicina foram possíveis porque, na Idade Média, médicos pegavam presos vivos e abriam o corpo deles para ver como funcionava. Isto permitiu que muitos fosem curados, mas foi totalmente prejudicial a estes presos.

Do mesmo modo, não se pode desenvolver a informática, criando novos e novos algoritmos de embaralhamento randômico de dados, proteção de bits, etc. se isto é feito para prejudicar pessoas como eu e você, que podem perder um monte de direitos ao ver estas coisas na prática.

Mas, se você quiser, pode confiar segamente em seus softwares proprietários. Soube eu, dia desses, que o CyberPatrol - um programa antiguinho que bloqueia saites pornográficos - também bloqueia saites com críticas negativas ao produto. Isto não deveria acontecer - explicitamente, isto não é função do produto -, mas seus desenvolvedores julgaram por bem fazê-lo, mesmo que isto interfira *onde não deve* na liberdade do usuário em localizar informações na Internet. E o pior disso tudo é que a empresa quer processar o usuário que fez a descoberta, porque utilizou-se de engenharia reversa para descobrir isto...

Você pode até não gostar do Stallman - eu mesmo não acho ele a santidade que proclamam por aí -, mas vejo uma bacia de lucidez em seus comentários aparentemente "malucos" e "exibicionistas".



Postado por EdsonMa@200.199.xxx.xxx em 23/12/2005 10h38min:
Ei, FELIZ NATAL PARA TODOS!!!!

hehe cadê o espírito natalino? Só a galera se batendo... :O



Postado por Heydyen@200.138.xx.xxx em 29/12/2005 10h57min:
Olha ,sou novato no Linux ,já faz mais ou menos 1 ano que venho me batendo pra aprender a usar ele (tive que aprender sozinho ) só agora resolvi meter o pé no Windows e passar de vez para o Linux ,demorei para mudar não por duvidar da qualidade do Linux ,mas por ser meio viciado por jogos que em sua maioria só rodam no Windows .
Agora uma coisa com certeza é certa ,o Windows não foi e nem nunca será confiável ,eu sempre me preocupei muito com isto ,tanto que sempre usava uma suíte completa de Internet Security tudo configurado na segurança máxima ,além de fazer todas as alterações possíveis e imagináveis no Registro e em outras partes do sistema para não só evitar invasões ,mas principalmente controlar o que os programas estavam fazendo ,sei que isto não adiantava muita coisa ,já se os programas de segurança também eram proprietários .Acho que o artigo é bem realista sim ,a MS já é bem conhecida por não respeitar a privacidade de ninguém .
Pra mim Windows agora só num HD separado para rodar os meus jogos (e nunca conectado na net) .

Eu uso Debian GNU/Linux ,e você ???



Postado por Heydyen@200.138.xx.xxx em 29/12/2005 11h03min:
Á ,além da porcaria da Microsoft estar mais pra vírus espião do que para Sistema Operacional ,ainda me fez o favor de destruir um HD de 40 GB por erro do sistema (ou será que foi porque ele estava lotado de filmes baixados da net)...hehehehe



Postado por Glberto Martins@201.19.xxx.xx [e-mail] em 04/01/2006 17h45min:
Claro que o Kid-X tem o direito de se expressar, assim como tb eu tenho o direito de discordar dele.
Estamos cheios de provas, sejam expostas na internet, sejam frutos de experiencias proprias. Eu tive que voltar para o Windows pela sua renomada competência em jogos, enquanto trabalho em uma lan-house. Pude observar que:
- 512 M de memória ainda é pouco para ele;
- Sair de um jogo pesado para outro idem é demorado;
- Para a internet ele representa uma preocupação constante
- Windows + Internet não funciona se não tiver anti-malwares
- Windows + Internet funciona mal se tiver anti-malwares

Durante o tempo em que trabalhei com linux constantemente, apenas conheci problemas com configuração, mas que eram solucionáveis. Trabalhando com Windows, vejo que as coisas acontecem sem que se possa determinar o por quê, e sem solução clara, e isso muito frequentmente.

Outro aspecto que deve ser considerado é o social. A informática não pode ser mais uma ferramenta de uma elite intelectual, mas um recurso aberto a toda sociedade. Impor acesso à internet através de softwares cujo valor ultrapassam o salário mínimo é irreal.
Por outro lado, exigir que um governo inteiro use este ou aquele software seria no mínimo ridicularizar a soberania nacional. Ainda, se este software pago/proprietáro fosse doado, a sua atualização também seria ? Mais ainda, nossos técnicos poderão ter acesso completo e irrestrito ao código fonte para verificar se realmente este software pode representar um vazamento de segurança de nossos dados ?

Sinceramente não consigo ver a Microsoft atender a qualquer destes "quesitos". Entretanto, sob o título (ou desculpa) de segurança, promove a restrição das nossas atividades àquilo que eles julgam que possamos ou devamos fazer.

Assim, creio que o software livre deva ser amplamente divulgado e apresentado como alternativa a todos, jurídicos ou físicos. Não para que este seja imposto a quem quer que seja, mas que seja apresentado como uma opção de escolha, e escolha consciente. Nós que pensamos em software livre, também pensamos em liberdade de escolha. Cada um escolhe o que lhe for melhor. Mas que se conheça os detalhes de cada opção.



Postado por Glberto Martins@201.19.xxx.xx [e-mail] em 04/01/2006 18h02min:
Esqueci de um detalhe:
Se uma família que vive com um ou dois salários mínimos consegue, a base de inúmeras prestações, comprar um computador sem sistema operacional, obviamente ela precisa de um SO. Como esta família pagaria pelos dois CDs que ela precisa para instalar o Windows e o MS Office? Sobraria a esta família a saída ilegal que quase todos os brasileiros que conheço utiliza, que é a pirataria. Assim, quando pensamos em crescer, e crescer socialmente, temos que aceitar o crime como parte do nosso dia a dia ? Complementando, as pouquíssimas pessoas que conheço, tem uma entrada mensal média muito acima destes dois salários mínimos, e não pertencem à chamada "base da pirâmide social".
Mais um motivo para se ter um sistema operacional livre e gratuito, e uma suíte de aplicativos básicos livre e gratuita.



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